Já nem falo do papel de Iniesta e o seu mérito futebolístico pelo festival de futebol que o Barcelona mais uma vez brindou o público do estádio onde jogou. Apenas me foquei na incrível manifestação de carinho e reconhecimento de um acto de honra que Iniesta tinha tido na homenagem a Jarque, jogador do Espanhol que faleceu no ano passado. Daí os aplausos.
Fez-me lembrar um dia em que aplaudi um certo Ion Timofte de axadrezado vestido em pleno Estádio das Antas. Foi em Outubro de 1998 e tínhamos acabado de levar uma banhada do Boavista, com dois golinhos (um dos quais marcado pelo nosso ex-jogador) sem resposta da nossa parte. Quando o romeno foi substituído, levantei-me e bati palmas. O resto do estádio, decerto não inspirado pelo meu gesto mas impelido pela força de uma noção de justiça que se sobre-elevou à acesa rivalidade, estava a fazer o mesmo.
Foi uma das únicas vezes em que aplaudi o adversário do FC Porto. A outra, que me lembre, foi contra a Sampdoria, com Robson no banco e Latapy a falhar um penalty. Mais uma vez foi merecido e quando é assim, não há nada a dizer. Só aplaudir.
Preparei-me para essa pergunta e agora esqueci-me. Há portugueses do lado do Real e gostava de vê-los vencer. Mas o adepto portista, como eu sou, sempre se identificou mais com o Barcelona. Pelo crescimento que teve, pelas lutas que enfrenta com a capital, pela evolução dos anos 70, há uma ligação forte entre Porto e Barcelona. Sou um adepto incondicional do estilo de jogo do Guardiola. Joga um futebol mágico, roça a perfeição.
Villas-Boas sobre o Barcelona vs Real Madrid
Desde o regresso de Luís Figo ao Nou Camp que não estou tão vidrado num clásico como neste. E é também por estas razões, tão simplesmente explanadas por Villas-Boas, que vou torcer pelo Barça hoje à noite.
Esta equipa do Barcelona é capaz de ganhar 9 em cada 10 jogos a qualquer equipa do Mundo.
Esta equipa do Inter também é capaz de não perder 9 em cada 10 jogos com qualquer equipa do Mundo.
A segunda premissa cumpriu-se. E a primeira? Fica para a semana...
Aquele rapaz que joga com a camisola número 10 do Barcelona não devia poder jogar à bola com o resto dos meninos. Só serve para fazer com que os outros se sintam mal e deprimidos por não conseguirem fazer as coisas que ele faz.
Já agora, e para os que não repararam, aquele foi o mesmo Arsenal que nos enfiou cinco no pandeiro. Ainda bem que não apanhamos este Barcelona, porque acho que o placard electrónico do Dragão não aguenta com resultados de dois algarismos.
Não foi uma grande final. Nem foi um jogo particularmente bom. Foi controlado desde o 1º golo pelo Barça, a jogar a passo, trocando a bola simples e sem inventar muito. Não deu hipótese. Não daria a ninguém. Nem ao grande Manchester United. O que custa mais é vermos uma equipa desanimada, sem alma, sem força moral para dar a volta ao resultado, e pensar cá dentro: "Podíamos ter sido nós ali, e com mil Sonkayas, tínhamos dado mais réplica! Se calhar encaixávamos mais, mas havia mais garra!"
Um médio centro latino marca um golo num estádio inglês repleto, em tempo de descontos, depois da sua equipa ter sido pouco mais que ineficaz e improdutiva nos 90 minutos que antecederam o petardo. A equipa inglesa diz-se roubada e critica o árbitro por não ter apontado grandes penalidades a seu favor.