Sai um comentador, sai um espectador

Desde terça-feira à noite, muita gente tem questionado as razões que me levaram a abandonar o programa Trio d'Ataque. Há quem julgue, até, que fugi ou que me procurei esquivar à discussão. A gravação do programa está disponível na internet, e poderão verificar que, antes de me levantar, disse tudo o que tinha a dizer. Não pactuo com a porcaria, com a canalhice e com a insídia. Não serei cúmplice de um sistema em que aqueles que são condenados pelos tribunais são, depois, inocentados em programas de televisão ao passo que aqueles que são absolvidos pelos tribunais são depois sujeitos a julgamentos sumários. Comigo não contam para ser juiz, verdugo ou testemunha em autos de fé.

Rui Moreira, em "A Bola"

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Rui Moreira deixa Trio de Ataque (?)

Retirado do Renovar o Porto

Se isto é verdade, é da maneira que deixo de ver o programa. Prefiro sentar-me em pinos de estrada a ouvir o Vasconcellos a debitar senilidades sem contraditório.

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Football Manager 2011





Para tolinhos como eu com algum tempo livre e pouca vontade de dormir...voilá. Chega no dia 5 de Novembro.

É que, parecendo que não, gritar: "Quanto querem por ele? Ui, nem pensar, não vale metade do outro puto...vai, carago, pela linha, não foi isso que te mandei fazer há bocado!? Canto curto...canto curto...CANTO CURTO!!! Foda-se, ponho-te nas reservas, quero-te ver a jogar na segunda divisão austríaca com essas parvoíces!" para o monitor do portátil está ao alcance de qualquer um. Especialmente quando a mulher que comigo escolheu passar a vida me olha de lado e diz: "Não sei o que é mais parvo: ver-te a gritar com o computador ou pensar se estarás à espera que alguém te responda..."

Football Manager: Desde 1993 a fazer de mim parvo.

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Votação: Otamendi tem lugar no onze titular?



Otamendi chegou ao Dragão depois de um campeonato to Mundo em que jogou adaptado a lateral direito, ele que é central de raiz. As prestações não foram estelares mas mostraram um rapaz raçudo e pronto a jogar onde o treinador o mandar. No FC Porto será utilizado a central (salvo qualquer imprevisto) e começou a mostrar serviço frente ao Olhanense. Será que tem valor para ser titular? As (mais de 200) respostas dividiram-se assim:

  • Sim, no lugar de Rolando: 50%
  • Sim, no lugar de Maicon: 19%
  • Não, Rolando e Maicon servem: 31%

É...parece que o pessoal continua a concordar comigo. Continuo a preferir ver uma dupla de centrais em que ambos têm competências diferentes, um mais raçudo e outro mais inteligente e suave. É o que dá ter passado a adolescência a ver jogar Aloísio e Fernando Couto juntos...

Próxima votação: Ruben Micael ou Belluschi no onze? (repetição da votação de Fevereiro...agora o contexto é bem diferente!)

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Rui Moreira ou a nobre arte de mandar pró caralho

Desde que comecei a ver o Trio de Ataque, Rui Moreira ganhou a minha simpatia pela forma educada e correcta com que analisava as ocorrências semanais no mundo da bola, usando retórica pouco usual nos mediáticos comentadores portistas (Francisco José Viegas e Miguel Guedes aparte, ambos bem mais suaves e anti-confrontacionais do que a velha guarda de Guilherme Aguiar, Pôncio Monteiro ou Manuel Serrão) e sempre estranhei as críticas que lhe eram feitas por muitos elementos da nossa comunidade. Foi uma lufada de ar fresco na defesa dos nossos interesses e quase sempre que o ouvia a falar, admitindo lances como verdadeiros contra as nossas cores como uma pessoa normal, em vez de defender com ataques, lançando-se quixotescamente em perseguição de moínhos de vento inexistentes, como alguns dos seus colegas noutros programas.

Ontem, Rui Moreira saiu do programa em directo, deixando António-Pedro Vasconcellos a falar sozinho. A atitude foi nobre/covarde, ousada/irracional e digna/ridícula, dependendo das fontes que estiverem a ler serem portistas/não-portistas. Mas este tipo de atitudes tende a ser sobre-polarizada perante a preferência clubística do indivíduo e extrapola-se demais. É portista, fez bem; não é, fez mal.

Sou portista e fiquei ambíguo. Por um lado não gostei da explosão. Era o único programa de análise de futebol que via regularmente e os motivos que tinha para voltar a ver esfumam-se se Rui Moreira sair. Não há pachorra para as fugas para diante de Guilherme Aguiar nem o exagero anedótico de Pôncio Monteiro e era exactamente aí que Rui Moreira vingava. Ouvia-se bem, escutava-se com atenção e havia conteúdo, substância no seu discurso. Dizia o que era preciso dizer nos olhos, sem problemas de consciência e sem proverbiais papas na língua. Não se prendia em legalês nem em metáforas arcaicas, era directo, conciso e azul-e-branco.

Por outro lado, ouvir o Vasconcellos a debitar ódio, pegando novamente em assuntos judicialmente encerrados para achincalhar nomes e instituições...ainda me convence mais da correcção de Rui Moreira. Sair do programa naquele momento foi a melhor maneira de insultar o seu colega de programa e manifestar a sua indignação ao que nas suas palavras se estava a transformar num "auto de fé".

Foi soft. Se fosse eu provavelmente não me continha e muito provavelmente tirava cá para fora a cobra zarolha e procedia a urinar para cima do realizador enquanto cantava o hino do FC Porto.

Se calhar é por isso que não me convidam para falar na televisão. Mas espero que convidem Rui Moreira para voltar. Sem ele, o plano é triste e ainda mais inclinado.



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Try again. Fail again. Fail better.

"If you are willing to admit faults, you have one less fault to admit"

provérbio antigo

Villas-Boas é homem de palavra.

Gostei.

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Baías e Baronis - Vitória Guimarães vs FC Porto

Foto retirada de MaisFutebol

Primeiro de tudo, é um resultado cuja injustiça será sempre disputada pelos adeptos de ambas as equipas. Se o FC Porto fez tudo o que pôde par contrariar um jogo rijo e viril do adversário, dentro das leis mas perto, pertinho da linha que divide a violência da agressividade positiva, também a malta do Vitória pode dizer que podia ter ganho o jogo com mais alguma sorte. Fiquei com a sensação que foi um ponto perdido. Mas não posso deixar de referir que o Vitória é uma bela equipa. Futebol simples, prático, agressivo e directo ao assunto. Lixou-nos. To the notes:









(+) Fernando Em todo o lado. O rapaz está em todo o lado. Recupera dezenas de bolas, nunca perde a noção de onde está e é o complemento ideal para um resto de meio-campo criativo. Jogo quase perfeito.

(+) Helton Bem melhor a colocar as bolas em jogo directamente para os laterais, muito seguro na baliza e uma excelente defesa no último minuto que nos safou um ponto. Estou a gostar de o ver como capitão.

(+) Rolando Teve um jogo ingrato, admito mesmo que a maior parte do pessoal não tenha gostado de o ver hoje. Mas...e há quase sempre um "mas", apanhou um Edgar que fez 209 faltas durante o jogo, quase todas sobre Rolando ou perto dele. A marcação que fez ao mesmo Edgar foi difícil mas era o único que a podia fazer. E não a fez mal, contra um adversário muito alto e brutinho.

(+) Maicon Excelente. Esteve quase perfeito nas dobras e não me lembro de uma única falha que tenha tido durante o jogo. Injusto ter sofrido com as (ausências de) dobras de Álvaro porque teve de correr mais do que era preciso, mas safou-se sempre bem. Cada vez gosto mais dele.

(+) Garra depois da expulsão Já não via isto desde o jogo contra o Benfica no Dragão, na época passada. A jogar sem...Fucile, a equipa jogou com garra, com empenho e conseguiu empurrar o adversário para a área e criou algumas jogadas de perigo. Com algum cansaço que se notava em Hulk e Falcao, coube a Fernando, Guarín e Rodriguez pressionar a todo o terreno e não se podia exigir mais. Se o tivessem feito desde o início da segunda parte...mas isto é um filme que já vimos este ano e era uma questão de tempo até sofrermos o primeiro revés...










(-) Fucile Jekyll & Hyde. Fez um jogo simpático, a mostrar que ganha a Sapunaru nos movimentos ofensivos...até começar a parvoíce. O golo do Guimarães nasce de uma falha enorme de posicionamento, a alhear-se do jogador e a contar que acertava na bola com facilidade. E depois, a expulsão. A calcadela ao Faouzi até pode ter sido acidental, mas é perto do árbitro e já se sabe que não deveria poder fazer este tipo de lances porque são demasiado arriscados. Houve fita do marroquino? E?...

(-) Varela Extraordinariamente mau, rapaz. Não fez uma única coisa de jeito e o jogo não lhe correu mesmo nada bem, foi bem substituído e espero que não tenha muitas mais jogos destes. Há dias assim...

(-) Bolas paradas Volto a bater na mesma tecla. Um desperdício quase a 100% de todos os lances de bola parada de que dispômos pode ser sinónimo de deficiências técnicas ou de falta de treino específico, mas começo a achar que as estatísticas não estão a ser bem recolhidas. Os cantos batidos para a área são absurdamente marcados ao primeiro poste para serem quase sempre facilmente interceptados pelo defesa que lá está; os curtos...dão remate pressionado de Hulk que...seguem para pontapé de baliza; os livres com cruzamentos para a área são mal marcados e o guarda-redes raramente tem problemas a agarrar a bola; os livres directos...são só maus. Perdem-se tantas bolas nestes lances que mais vale jogar curto e rodar para o lado.

(-) Villas-Boas Não gostei mesmo nada da flash-interview. Acredito que estivesse chateado pela derrota mas não me parece que Xistra tenha sido tão influente no resultado para justificar as frases do nosso treinador. Conhecendo a nossa imprensa e sabendo que se vão já lembrar dos jogos da pré-época no Torneio de Paris para lhe chamar arrogante, deselegante, violento e agressivo, escalar estas parvoíces só nos pode prejudicar, por isso preferia que mantivesse a calma e se abstivesse destas declarações. Não ganha nada com isso.




Estou à espera de ler em alguns blogs portistas qualquer coisa como "ah mas ainda estamos a 7 pontos do !". É a pior coisa que podemos começar a pensar! É preciso jogar todos os jogos para vencer mas não vem mal nenhum ao mundo perder pontos, é preciso que os adeptos percebam isso. Foi um jogo bem disputado (não muito bem jogado) que qualquer equipa podia ter ganho. Fica-me na memória aquele lance do Moutinho em frente ao guarda-redes ainda na primeira parte. Esses golos não se podem falhar, nem em Portugal nem na Europa. A pausa pode fazer bem para descansar a equipa e acalmar o povo...

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Ouve lá ó Mister - Vitória Guimarães

André, hombre!

Correu bem aquela cena na Bulgária! Estive a ver o jogo num tasco e entre finos e duas de treta com o pessoal, quase que me distraía tanto como o Maicon a deixar passar a bola por cima dele. O jogo rambém era fácil e os gajos não jogavam grande coisa. o Tiero era titular, carago, acho que isso diz tudo.

O que interessa mesmo depois da mourada ter ganho ao Braga, é nós colocarmos o Minho todo a chorar. Rapaz, sei que não és dessas coisas, mas de vez em quando é preciso jogar feio, e acredita no que te digo, porque já sigo isto há uma batelada de anos e sei do que a casa gasta, hoje à noite é preciso jogar feio. Não é preciso ser violento nem agressivo demais, olha lá que o Xistra quando começa a puxar do cartão aquilo tem mais soltura que um caniche depois de comer três quilos de ameixas! É só jogar rijo, duro, prático e eficaz. Não me interessa se tens de mudar o esquema quando vires que as coisas não correm bem, este jogo não se pode perder!

Não sei se vou conseguir ver o jogo no estádio mas estou tentado a isso. Palavra que estou. E se ouvires um gajo a gritar "Ouve lá, ó mister! Põe-me o Souza em campo e tira o Varela que isto já só lá vai com pancada!", já estás a ver quem é. Vamos lá equipa!!!!


Sou quem sabes,
Jorge

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Porta19 entrevista Carlos Ribeiro (ovimaranes.blogspot.com)

Continuando a rubrica que abri aqui com a entrevista a Wim Nijst e continuei aqui em conversa com João Paulo Meneses do Reis do Ave, hoje entrevisto Carlos Ribeiro, co-autor do Vimaranes (não tem acento, é mesmo o nome em latim da cidade de Guimarães), um dos melhores blogs nacionais sobre clubes de futebol. As respostas são longas mas vale a pena ler, por isso vamos à entrevista:






Porta19: O Guimarães estava em grande forma mas perdeu em Coimbra. O FC Porto será o adversário ideal para voltar às vitórias?

Carlos Ribeiro: Antes de responder directamente à questão, e mantendo uma cruzada que não nos cansamos de continuar a disputar, não gostamos nada de ser tratados por “Guimarães”. No nome oficial do clube nem sequer consta o nome Guimarães, apenas e só, Vitória Sport Clube. Isto, apesar de toda a comunicação social, usar o mesmo tratamento, ora com a desculpa da diferenciação com o outro Vitória, o de Setúbal, ora apenas por comodidade. Talvez seja um preciosismo, mas simplesmente Vitória ou no limite Vitória de Guimarães seja o tratamento que mais gostamos.

Agora, respondendo à questão. O Vitória está a fazer o melhor arranque da década, não só porque o arranque está a ser de facto positivo mas também porque a última década não foi repleta dos êxitos que os tempos idos de 80 e 90 nos deram. A derrota em Coimbra acaba por ser justa perante uma equipa que está a fazer também um grande campeonato, ainda que me pareça que o Vitória não foi inferior à Académica, mas apenas menos eficaz e menos feliz.

Sinceramente, acho sempre que o adversário ideal para se regressar aos triunfos é o próximo. Quis o calendário que fosse o FC Porto e assim sendo, sim é o adversário ideal. Não por ser um clube dito grande, com outros objectivos e outra qualidade, mas sim porque é o próximo a cruzar-se no caminho do Vitória. Sabemos no entanto que será muito complicado vencer. O Porto leva 6 vitórias em 6 jogos, uma vantagem já demasiado confortável para qualquer um dos pretensos candidatos ao título e, visto à distância, ainda que me pareça sensato que vocês não o queiram admitir, estamos perante um caso único que é o do campeonato estar praticamente decidido para as vossas cores com apenas um terço da temporada realizada. Como se toda a vossa qualidade demonstrada não bastasse, o Vitória leva 9 anos sem ganhar ao Porto no D. Afonso Henriques e 19 golos sofridos e apenas 3 marcados nas últimas 7 derrotas consecutivas.

Por isso, provavelmente se pudesse escolher um adversário nesta altura não escolheria o FC Porto. Mas jogando em casa, depois de já no D. Afonso Henriques termos acabado com a malapata em jogos com o SL Benfica, exige-se que o Vitória tente inverter estes dados negativos e consiga um triunfo, mantendo assim o 2º lugar na tabela. Difícil? Muito. Mas longe de ser impossível, ainda para mais atendendo ao crescimento que o Vitória tem evidenciado nas últimas jornadas.



Porta19: Quem são os jogadores de maior potencial no plantel do Vitória para 2010/2011?

Carlos Ribeiro: Acho que uma das mais-valias desta temporada é mesmo o colectivo e, mais do que isso, as vastas opções principalmente para o sector atacante de que Manuel Machado dispõe. Agora, claro que como em todas as equipas há sempre jogadores acima da média e capazes de desequilibrar. Marcelo Toscano, o avançado que o Vitória resgatou ao Paraná é um jogador que tem dado muito nas vistas, pela sua qualidade técnica; João Ribeiro, ex-Académica, é um miúdo de enorme potencial e provavelmente o jogador mais em foco esta temporada; Edgar é um jogador que vocês conhecem bem e um goleador de qualidade; Rui Miguel é o virtuoso de serviço e ainda que não tenha ainda singrado como titular, é normalmente decisivo quando salta do banco para decidir jogos, por ser um médio de grande qualidade técnica. Finalmente, há Nilson. O esteio da baliza há vários anos e que nas últimas épocas tantos pontos tem valido. Creio que passa por este núcleo de jogadores muito do eventual sucesso esta temporada.





Porta19: Manuel Machado é o treinador desejado pelos adeptos? Depois de uma pré-época tão atribulada, o ambiente está mais sereno?

Carlos Ribeiro: Guimarães costuma ter problemas com os filhos da casa. Daí que muitas vezes se diga que Guimarães é má mãe e boa madrasta. Manuel Machado é um vimaranense e acima de tudo um vitoriano e por isso a sua última passagem pelo Vitória não foi fácil, mas foi ao mesmo tempo umas das melhores temporadas dos últimos anos porque resultou numa qualificação europeia. Apesar disso, creio que Machado era o desejado pela larga maioria dos vitorianos. Porque sendo um homem da casa, percebe como ninguém o Vitória e, num clube que nos últimos anos tem revelado uma enorme falta de pensamento estratégico no futebol profissional, o homem certo, no lugar certo. A pré-época foi algo atribulada muito porque é extremamente complicado construir uma equipa com um plantel totalmente renovado e com tantas entradas e saídas. Mais ainda, quando essas mudanças se prolongam até depois do próprio campeonato se iniciar. Mas, depois de um período mais conturbado e de alguma desilusão porque o Vitória não alcançava o patamar exibicional que os vitorianos – exigentes como o são – pedem, acredito que agora estejamos mais satisfeitos. Claro que a equipa ainda pode dar muito mais e tem de dar muito mais, mas já é notório o seu crescimento gradual e, como este tem vindo acompanhado com bons resultados, não há razão para não estarmos confiantes. Não deslumbrados. Apenas confiantes.


Porta19: Com a imprensa tão tri-polarizada em Portugal, como é que vê o desprezo a que são votadas as equipas de dimensão mais pequena?

Carlos Ribeiro: Esse é, seguramente, um dos grandes problemas de que padecem as equipas de pequena e média dimensão. Mesmo quando alcançam resultados dignos de registo, quer dentro, quer fora do país. Invariavelmente são esquecidas, principalmente por aqueles que têm o dever de manter o dever de isenção hipotecando até, no caso por exemplo da estação pública os princípios da «diversificação» e, sobretudo, do «pluralismo» que estão previstos na Lei da Televisão. Este mesmo assunto, levou inclusive ao lançamento de uma petição no meu blogue em conjunto com um blogue bracarense e que teve na altura algum mediatismo dado pela comunicação social. Mas este é um problema conjuntural que não vai lá apenas com petições e protestos apenas por parte de um clube ou outro, terá de ser uma batalha necessariamente levada a cabo por todos os clubes de média e pequena dimensão que se sentem desprezados, mas terá também de passar por uma revolução no futebol português que infelizmente creio vir ainda demasiado longe, porque quem tem o poder de mudar, não tem naturalmente razões para o fazer, porque não é alvo dessas discriminações. E não falo apenas de discriminações pela comunicação social, mas principalmente por aqueles que surge dentro das estruturas do futebol português e que fazem com que quase sempre estes clubes sejam prejudicados em detrimento dos ditos grandes.

Claro que este desprezo de que falas, é ainda mais acentuado quando nas lideranças dos clubes estão dirigentes sem voz e sem capacidade de liderança e que não são por isso capazes de encarar de frente os poderes instalados, quer no futebol quer nos media e de se fazerem ouvir. O Vitória padece também desse problema, desde que Pimenta Machado saiu da liderança do clube. E não estou com isso a defender a sua presidência de quem fui muito crítico, mas a verdade é que nesse aspecto, não havia nada a atacar-lhe. O Vitória fazia-se ouvir. Pelo menos, isso.




Porta19: O Vimaranes é, reconhecidamente, um dos blogs mais importantes de clubes portugueses. De onde vem a motivação para escrever depois de um dia de trabalho?

Carlos Ribeiro: Acho que a resposta será idêntica à grande maioria dos bloggers. Há sempre motivação para escrever sobre quem gostamos e em prol do clube que amamos. No meu caso não é diferente. Apesar de a minha profissão nada ter a ver com a comunicação social, tive sempre uma paixão imensa pela escrita e, se a isto juntarmos o facto de ser sócio do Vitória praticamente desde que nasci (perto de completar 25 anos) é fácil de perceber como se juntam duas paixões. E sempre o fiz quer em jornais da terra, quer na rádio ou nos blogues. Nem sempre é fácil arranjar um tempo para o fazer, mas tenta-se sempre. Obviamente que prefiro escrever com o Vitória em alta, mas curiosamente o blogue até nasceu numa altura em que o meu clube lutava para não descer, não o tendo conseguido evitar. Na altura, precisava de um espaço pessoal para escrever o que pensava sobre tudo o que estava a acontecer no clube. Depois, o projecto foi crescendo e atingindo dimensões que nunca esperei e aqui a principal responsabilidade é dos leitores, que foram gradualmente aumentando e também por isso, aumentando a nossa responsabilidade. E agora o VIMARANES é de facto o blogue mais visitado e mais mediático do universo vitoriano e um blogue de destaque dentro da blogosfera desportiva e isso enche-nos de orgulho. Não que, como costumo dizer, trabalhemos para números, mas porque estamos certos que também deste modo ajudamos o clube. Nunca fugindo a polémicas ou às opiniões pessoais de que se moldam os blogues, mas contribuindo modestamente para a projecção do clube e o seu crescimento sustentado, através do lançamento de debates de ideias e da divulgação de conteúdos que interessam aos vitorianos. Haverá maior motivação do que essa?


Porta19: Ainda há esperança para a maioria dos blogs Portugueses de futebol ou a inspiração está a definhar em função das redes sociais e dos fóruns de discussão?

Carlos Ribeiro: Acredito que sim. Acho que nenhuma dessas plataformas é concorrente dos blogues e na minha opinião toda elas contribuem, cada uma à sua maneira, para o crescimento da consciência pública e do debate de ideias. Claro que há sempre blogues a acabar, mas também há sempre outros espaços a nascer. A blogosfera vitoriana, por exemplo, é repleta de bons exemplos. De blogues que assumiram numa dada altura uma importância crucial e outros que hoje em dia continuam, pela sua qualidade, a ser visita diária obrigatória, porque muita da discussão do nosso clube passa por lá. Tudo isto num clube que tem um fórum de discussão de grande mediatismo também e onde também as redes sociais assumem agora particular importância. Mas creio que há espaço para todos e, quantos mais forem, melhor se torna para a divulgação e o crescimento do clube. Nesse aspecto creio que os vitorianos se devem sentir satisfeitos. Há muitos espaços e de grande qualidade pela Web vitoriana, muitos dos quais sempre estiveram à frente do próprio veículo de informação oficial do clube na internet.

Não quero terminar sem felicitar este blogue (e naturalmente o seu responsável) pela qualidade que patenteia e que faz com que, não sendo um blogue afecto ao meu clube, o visite com regularidade. Saudações vitorianas.





Aproveito para agradecer ao Carlos pela disponibilidade. É um gosto trocar ideias com pessoas que vibram e sentem o seu clube por dentro e por fora. Espero que seja um excelente jogo e que consigamos vencer e continuar a carreira à imagem da nossa cidade. Invicta.

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Uma dupla forte?

Esta temporada, com a saída de Bruno Alves, o FC Porto atravessa uma fase de adaptação a uma nova realidade: a falta de um patrão na defesa. Desde que me lembro, uma das grandes forças do clube foi a dupla de centrais, sempre com um patrão e um subalterno, um mestre e um aprendiz, independentemente das suas características físicas. Já desde o tempo de Fernando Couto e Aloísio ou até Aloísio e José Carlos no meio dos anos 90, passando para Aloísio e Jorge Costa mais para o final dessa década, transformando-se em Jorge Costa e Jorge Andrade no arranque do século, evoluindo para Jorge Costa e Ricardo Carvalho nos Annus Mourinhus. Com o Co não vale a pena analisar, já que jogava um central (habitualmente Pepe) e Pedro Emanuel muitas vezes pela esquerda (ui. ui mesmo.), mas tudo normalizou com Jesualdo, que usando Pepe+Pedro Emanuel, Bruno Alves+Pedro Emanuel e Bruno Alves+Rolando, acabou por traçar uma recta descendente na solidez defensiva que era imagem de marca no nosso clube.


Este ano e excluindo as experiências tradicionais, apesar do excelente registo nas provas nacionais (dois golos sofridos em sete jogos, uma média de 0,29 por jogo sendo que ambos os golos foram sofridos no mesmo jogo) e simpático na Liga Europa (2 golos sofridos em 4 jogos, não é mau mas é pior, com 0,5 golos sofridos por jogo), é notório que Villas-Boas ainda não terá encontrado a melhor dupla possível. Não que tenha pecado por falta de experiência, como se pode ver pelo quadro abaixo, mas quem tem acompanhado a evolução da equipa pode ver que ainda não estamos lá. Parece ainda faltar entrosamento, o que é natural para alguns recém-chegados como Otamendi e Sereno, mas a baixa de forma de Rolando começou a preocupar os adeptos nos últimos tempos.

Com a chegada de Otamendi, as coisas podem mudar. Já ontem, frente ao CSKA, se viu a versatilidade do argentino que pode jogar em qualquer posição na zona central da defesa (jogou do lado esquerdo contra o Olhanense, ao lado de Rolando e do lado direito contra os búlgaros, emparelhado com Maicon). Ainda lhe falta muito jogo, muitos minutos nas pernas até poder ter uma opinião que não seja apenas uma bojarda do tipo "joga muito" ou "não vale nada". Quando chegou cá o Argel também disse que o gajo me parecia um excelente central e depois foi o que se viu. Ingenuidade da juventude, esqueçam lá isso.

Gostei da aposta no Nico, e Maicon deverá ter perdido a esperança de ser a revelação da temporada azul-e-branca (por agora) porque o jogo que fez em Sófia fez-me ter saudades do Matias. Rolando e Otamendi para Guimarães, é a minha aposta. Se funcionar...não tens que agradecer, André!

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